Betsy e seus balões coloridos

Aventuras e histórinhas em São Paulo (e agora em Londres também!!)

Tem que sambar – Final (ufa!) maio 13, 2010

Filed under: Diversão,Londres,Vida urbana — Priscila Valdes @ 6:40 pm
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Quando você viaja com a cara e a coragem para uma terra estranha que não conhece ninguém, você depara com todo o tipo de pessoa. É claro que encontrei gente linda, queridos e solidários, mas encontrei também um… Como eu posso chamar? Ah, um “Brasileiro-Que-Deu-Certo”.

Por indicação de uma outra amiga, fiquei sabendo dele. O BQDC precisava de alguém que fizesse a “promoção” de uma balada latina em escolas de inglês onde estudassem brasileiros. O trabalho era simples e até divertido: montar um roteiro e visitar essas escolas para conversar com as recepcionistas, falar da noite brasileira e deixar uns panfletos lá.

Eu pensei, por que não? Poderia praticar o meu inglês e estava mesmo precisando de grana.  Minha primeira conversa com o BQDC foi até que tranquila, tirando o fato que ele ficou horas falando que todas as mulheres brasileiras (oi? eu? brasileira?) eram mulheres de vida fácil (pensei, fácil é o C…) e que vinham para cá arrumar marido europeu.

Lógico que achei tudo isso super preconceituoso, mas fiquei quieta, né?! Estava precisando da grana desse trabalho de divulgação.

Na segunda vez eu fui com um amigo, que queria entregar o CV lá para uma vaga de catering ou coisa parecida. O BQDC olhou para ele e disse:

– Eu vou colocar no meio dos outros 45 que estão ali. Se eu lembrar da sua cara, ou pegar o seu CV, tipo roleta-russa, eu te chamo, ok?!

Depois que o meu amigo foi embora, o BQDC amassou e jogou o CV fora e ainda disse – Olha, acabei de jogar no lixo o CV do seu amigo…

Olhei, fiquei vermelha de ódio daquele jeito que vocês sabem e comecei a explicar como tinha sido o trabalho naquela semana. Foi aí que ele solta a pérola:

– Ah, mas tem que sambar.

Alguns segundos de silêncio.

– Como assim? Eu perguntei.

Dai ele deu uma risadinha e falou: ah, se você sambar atrai mais gente.

Alguns minutos de silêncio.

Tá, eu contei até 10 (consegui, amigas! Eu não virei um copo na cara dele ou sai batendo porta ou comecei a chorar descontroladamente), eu simplesmente respondi:

– Bom, se você precisa de alguém que sambe é melhor contratar outra pessoa.

Até porque, cá entre nós, eu sambando na porta da balada ia mais é espantar do que atrair a freguesia, né gente?! Vocês podem me imaginar????

Enfim. O trabalho durou só aquelas duas semanas. Dai eu comecei a vender coxinha na feira. Mas esse já é outro post. 🙂

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