Betsy e seus balões coloridos

Aventuras e histórinhas em São Paulo (e agora em Londres também!!)

Tem que sambar – Parte 1 maio 8, 2010

Filed under: Londres,Vida urbana — Priscila Valdes @ 6:00 pm
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Quando eu decidi vir para Londres, eu sabia que não encontraria um emprego como  jornalista e que teria que esquecer a minha vidinha classe média em São Paulo. Pensei que, com muita sorte, conseguiria trabalhar num pub ou coisa parecida. A verdade é que logo no começo fiquei doente e estava (está) MUITO difícil arrumar trabalho por aqui. Por mais que existam vagas, a concorrência é gigante, muita gente desempregada e cada vez mais pessoas chegando aqui para “estudar”. Além disso, eu comecei  a acreditar que para arrumar trabalho aqui ou tinha que ser muito linda ou falar inglês muito bem. Bom, me f*** né?!

Com tudo isso, fiquei dois meses completamente desempregada quando comecei um serviço de “promoção”, por indicação de uma amiga. O trabalho era de sexta e sábado, das nove da noite a uma da manhã, na rua, numa esquina em Clapham Junction, no frio e chuva, entregando panfletos de uma balada local. O primeiro final de semana eu trabalhei as quatro horas de cada dia. Direitinho. No segundo, as meninas (outras duas brasileiras) já começaram a me chamar para ficar no McDonalds enrolando um pouquinho (feio, eu sei, mas estávamos no inverno, a sensação térmica na época era negativa, você pode imaginar o que é isso? Do Brasil? Não mesmo!). Outras equipes de “promoção” também faziam isso: depois da meia noite, todo mundo se encontrava no McDonalds. A gente já era de casa.

Nos outros finais de semana eu inventei várias estratégias para fazer o tempo passar: comprava uma garrafa de vinho e ficava bebendo, baixei toda a coleção de podcasts de gramática da BBC para ficar estudando enquando entregava panfletos, fiz amizade com um paquistanês que ficava horas conversando comigo (num inglês terrivelmente pior que o meu), entre outras ideias mirabolantes. Assim se passou um mês conseguindo ganhar o dinheiro para pagar, pelo menos, a minha acomodação.

Foi quando a russa voltou a trabalhar. A russa falava de boca cheia que já entregava panfletos há seis meses lá. No último mês ela estava de férias. Meu, que ódio daquela russa. Explico: a fia-da-mãe trabalhava, ô se trabalhava… Enquanto eu ficava lá repetindo to be ou not to be tomando vinho na rua, ela ENTREGAVA os panfletos. No final de uma noite de sábado, ela tinha feito 73 panfletos na portaria e eu, 5… C-I-N-C-O!!!

Depois dessa  noite fiquei com vergonha. E decidi que esse trabalho, nas esquinas londrinas de madrugada, não era para mim. Nunca mais fui para Clapham Junction. Mas a minha vida de panfletagem não tinha acabado. Tem mais…

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11 Responses to “Tem que sambar – Parte 1”

  1. micarock Says:

    aaaah conta logo!

  2. Paula R. Says:

    Hahahah Tb fiquei curiosa!

  3. Gabizilda :) Says:

    q coisa mais familiar, nao?
    hahaha

  4. helena Says:

    hahaha tia Pri, to rindo para não chorar. fo…. amiga!! conta mais, conta. bjo

  5. Betsy Says:

    Tia Flaaa, não te conto mais nada, tô esperando a resposta do meu e-mail… Amiga ingrata hihihihi!

  6. Jonatas Lacerda Says:

    Não dá para mentir, também fiquei super curioso… rsrsrs.. Um grande beijo, Pri. 🙂

    • Jonatas Lacerda Says:

      e é sem a última vírgula hehehehehehehheh

    • Betsy Says:

      Ebaaaa, tá todo mundo curioso, adorei! Mas olha, a realidade não é bonita, não tem glamour.. O bom é que TUDO vira história para contar com BONS AMIGOS para ouvir =))


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